Corpos Frágeis

Cultura

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A série Anatomia e Boxe de Jorge Molder foi apresentada pela primeira vez em 1997, no edifício da Cadeia da Relação no Porto, naquela que foi a exposição inaugural do Centro Português de Fotografia.
Composta por 40 fotografias impressas a gelatina de sais de prata, trata-se de um conjunto essencial no percurso do artista, na medida em que, na exclusiva utilização do seu rosto e corpo como objeto das imagens, fica estabelecida uma relação performativa com a fotografia que se viria a adensar ao longo da sua obra, nomeadamente na série Nox com que representou Portugal na Bienal de Veneza de 1999.

A série Anatomia e Boxe, agora apresentada pela primeira vez em Lisboa, representa um momento determinante na obra de Jorge Molder. Incluindo vários subconjuntos no seu interior, as imagens fazem relacionar dois teatros de exposição do corpo, do seu massacre e das suas metamorfoses: o ringue de boxe e o teatro anatómico. Em ambos os casos o tema é a observação de um corpo que é submetido à violência
da manipulação e da transformação e que performa esse processo. Constituindo um dos primeiros momentos de representação performativa na obra de Jorge Molder, a série mostra, simultaneamente com delicadeza e frontalidade, a fragilidade do humano e a tensão do corpo atraído pela gravidade, assumindo o tema da queda (um dos grandes temas da história da representação do corpo na arte) como a forma última da fragilidade da vida.

O ciclo de mostras da Coleção António Cachola em exposição no chiado8 resulta de um protocolo entre a Fidelidade – Companhia de Seguros e o MACE, que compreende a apresentação, entre 2015 e 2017, de oito exposições da Coleção António Cachola, com curadoria de Delfim Sardo. As exposições, serão individuais, ou de confronto e diálogo entre obras e artistas (como a exposição agora inaugurada) procurando refletir novas visões sobre a coleção, constituindo também uma forma de observação da arte produzida por artistas portugueses contemporâneos.

De 18 de Julho a 30 de Setembro 2016
De segunda a sexta-feira Das 12.00 h às 20.00 h Entrada Gratuita
Biografia – Jorge Molder
Nasceu em Lisboa em 1947, onde reside.
Licenciado em Filosofia, o seu percurso fotográfico iniciou-se, em termos públicos, em 1977, com a primeira exposição individual intitulada Vilarinho das Furnas (uma encenação), paisagens com água, casas e um trailer que incidia sobre uma intervenção da artista Ana Hatherly.
A partir de 1987, a sua fotografia começa a utilizar a auto-representação, em imagens que, embora utilizem o corpo do seu autor, não devem ser confundidas com auto-retratos – porque se reportam a personagens misteriosas, repletas de referências, quer à literatura, ao universo das imagens, como ao quotidiano.
São desse período as series Conrad, The Portuguese Dutchman e The Secret Agent que recolocam o problema da autorepresentação ligada a referências literárias e filosóficas (Joseph Conrad, Herman Melville, Georges Perec).
Figura maior da arte portuguesa recente, Jorge Molder foi convidado a representar Portugal na 48º Bienal de Veneza em 1999. O trabalho que aí apresentou (a série Nox) constitui um momento significativo do seu percurso, atingindo uma enorme sofisticação na utilização dos processos ficcionais gerados pelos personagem que encarna nas suas imagens.
Em 2000 o seu trabalho expande-se à utilização do video com o filme Linha do Tempo, apresentado no Projecto Mnemosyne/Encontros de Fotografia de
Coimbra 2000.
Jorge Molder tem apresentado o seu trabalho em inúmeras instituições internacionais. Recebeu o Prémio AICA/Portugal em 2007 e o Grande Prémio Fundação
EDP/Arte em 2010.
O trabalho de Jorge Molder encontra-se representado na maior parte das coleções Institucionais portuguesas (Caixa Geral de Depósitos, Coleção Berardo, Fundação Luso-Americana, Novo Banco, Fundação Calouste Gulbenkian, Fundação de Serralves, Caixa Geral de Depósitos), bem como em significativas coleções Internacionais, como do Art Institute de Chicago, da Maison Européene de la Photographie, do Musée de la Photographie, em Charleroi, ou do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, em Madrid.

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